As ações à prova do risco de ruptura pela IA, segundo o Goldman Sachs

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Ações de empresas com ativos produtivos tangíveis estão superando o desempenho do mercado à medida que investidores buscam proteção contra a ruptura provocada pela inteligência artificial, segundo estrategistas do Goldman Sachs.

A equipe do banco afirma que sua carteira de ações intensivas em capital, cujo valor econômico deriva de ativos físicos, supera em cerca de 35% desde o início de 2025 um grupo de empresas “asset light”, mais dependentes de capital humano ou digital.

Investidores têm migrado para ações com o que os estrategistas chamam de “efeito HALO”, sigla para em inglês para ativos pesados e baixa obsolescência, em setores como utilities, recursos básicos e energia, segundo nota a clientes assinada por Guillaume Jaisson e outros analistas.

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ASML (BDR: ASML34), Safran, LVMH (LVMH34), Air Liquide (AIRL34) e Airbus (AIRB34) estão entre as ações selecionadas para a cesta europeia de empresas intensivas em capital. Já L’Oreal, Adyen, DSV e Siemens figuram entre as empresas do grupo asset light.

“Os mercados estão premiando capacidade, redes, infraestrutura e complexidade de engenharia, ativos caros de replicar e menos expostos à obsolescência tecnológica”, escreveu Jaisson.

A preocupação com aplicações de IA capazes de alterar modelos de negócios tem atingido setores que vão de software a gestão de recursos, provocando quedas acentuadas em ações antes vistas como vencedoras quase certas. O movimento se deu por meio de vendas generalizadas, que também alcançaram indústrias como logística, que à primeira vista não parecem especialmente vulneráveis à IA.

A busca por liderança em IA também transformou antigos destaques do mercado, de perfil asset light, como as cinco chamadas hyperscalers, em empresas intensivas em capital, segundo os estrategistas.

Essas companhias — Amazon (AMZO34), Microsoft (MSFT34), Alphabet (GOGL34), Meta (M1TA34) e Oracle (ORCL34) — devem investir cerca de US$ 1,5 trilhão na expansão da infraestrutura ligada ao boom de IA entre 2023 e 2026, estimam os analistas. O valor se compara a aproximadamente US$ 600 bilhões investidos ao longo de toda a história dessas empresas até 2022.

Juros reais mais elevados e o cenário geopolítico, que impulsiona maiores gastos fiscais e apoio à manufatura, também favorecem a migração para setores intensivos em capital, segundo o Goldman. O momento dos lucros também começa a se inclinar a favor dessas empresas, com as projeções de consenso para crescimento do lucro por ação e retorno sobre patrimônio líquido agora superiores às do grupo asset light, afirmam.

No Morgan Stanley, estrategistas também apontaram para um afastamento de setores asset light, como software. Fundos long-only na Europa já vinham reduzindo posições em ações consideradas expostas ao risco de ruptura por IA no fim de 2025, segundo o banco.

©️2026 Bloomberg L.P.

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